Xangai: COVID-19

Conheça os constrangimentos, medidas de relançamento da economia e oportunidades de negócio em Xangai decorrentes da COVID-19.

MEDIDAS GOVERNAMENTAIS DE RELANÇAMENTO ECONÓMICO E APOIO ÀS EMPRESAS

O governo municipal de Xangai anunciou 28 medidas para atenuar os prejuízos que possam advir da epidemia:

  • Intensificação de apoio fiscal e financeiro para empresas que desempenham papéis importantes na prevenção de epidemias, como farmacêuticas;
  • Isenção de imposto para a importação de produtos médicos relacionados com a prevenção da epidemia;
  • Redução ou isenção temporária de rendas de imóveis para PME que arrendem imóveis do Estado, entre fevereiro e abril;
  • Isenção de imposto sobre montante fixo para empresas em nome individual;
  • Redução das taxas de juro nos empréstimos a empresas que estejam diretamente envolvidas no combate à epidemia, PME ou dos setores mais afetados;
  • Redução temporária da contribuição de segurança social para empregadores.

De acordo com a Comissão Municipal de Comércio de Xangai (Ministério do Comércio), das 12.861 empresas de alta tecnologia registadas na cidade, mais de 90% regressaram ao trabalho e a Comissão de Ciência e Tecnologia de Xangai criou um fundo de investimento de 1,44 mil milhões de dólares com o China Construction Bank em Xangai para fomentar o investimento em tecnologias para o combate a epidemias.

Em março a Comissão de Comércio de Xangai introduziu onze novas medidas de apoio à economia local:

  • Otimização do mecanismo de importação de produtos médicos essenciais;
  • Apoio a empresas em reinício de atividade;
  • Reforço do apoio financeiro a empresas que operem no comércio externo;
  • Otimização da regulamentação de procedimentos aduaneiros;
  • Aumento da preponderância do seguro de crédito;
  • Apoio a empresas no ajuste dos seus planos com vista à participação em feiras internacionais;
  • Apoio às empresas com o objetivo de incrementar a sua presença no mercado internacional;
  • Otimização dos serviços de liquidação financeira transfronteiriça;
  • Facilitação na obtenção de licenças de importação via online;
  • Otimização das funções da China (Xangai) International Trade Single Window;
  • Melhoria no acesso à assistência e aconselhamento legal no estrangeiro.

Xangai planeia investir, nos próximos três anos, pelo menos 270 mil milhões de RMB (US $ 38,6 mil milhões) na construção de infraestruturas tecnológicas, com o objetivo de impulsionar a inovação e o desenvolvimento económico da cidade e de melhorar o nível da sua gestão urbana. Este projeto prevê que, até 2022, Xangai esteja dotada de mais de 100 fábricas / linhas de produção autónomas, e que o número de estações-base 5G disponíveis tenha capacidade de cobertura sobre toda a sua área metropolitana. No âmbito do mesmo projeto, estão ainda previstos melhoramentos substanciais nos Internet Data Centers que suportam aplicações cloud e de Inteligência Artificial e ainda a construção de estradas e espaços destinados a veículos autónomos.

O organismo estatal Invest Shanghai, destacou recentemente a intenção do MOFCOM em promover, no segundo semestre de 2020, um plano que visa dar maior “pujança” à abertura do mercado chinês ao exterior através por intermédio da concentração de esforços em três pontos fundamentais:

  1. Acelerar o processo de abertura da indústria de serviços do país. A abertura da indústria de serviços do país deverá ser feita de forma gradual e com base no sucesso da execução de programas piloto a serem colocados em prática num futuro próximo;
  2. Promoção de maior abertura institucional. Com base nas vantagens ao desenvolvimento do da China em matéria de comércio eletrónico e outras indústrias relevantes, o país deverá incrementar ativamente o seu papel na formulação e liderança das regras internacionais e consolidar a sua influência nas suas relações com o exterior;
  3. Criação de um cada vez melhor ambiente de negócios. Consolidação da implementação do princípio da igualdade de tratamento às empresas nacionais e estrangeiras. Promoção da melhoria do sistema de proteção de direitos de propriedade por forma a estimular a criatividade e a inovação social.

Consulte mais informação sobre estes procedimentos:
http://www.investsh.org.cn/ywjqs/1738.htm
https://www.europeanchamber.com.cn/en/national-news/3224/clarification_of_entry_measures_for_foreign_employees_into_shanghai_during_the_travel_ban_normal_and_fast_track_channels_

Resumo:
https://www.mazars.cn/Home/News/Our-publications/Tax-publications/China-Tax-Newsletter/Supportive-policies2

 

QUAIS OS PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NO MERCADO

No dia 28 de março de 2020, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da R.P.C. suspendeu a entrada de todos os estrangeiros, mesmo residentes, por um período indeterminado, excetuando apenas portadores de passaporte diplomático ou especial de serviço. Essa situação tem vindo a ser gradualmente alterada, sendo agora possível que cidadãos estrangeiros de 36 diferentes países, entre estes Portugal, com autorização prévia de residência permanente na China ainda válida, possam solicitar a emissão de novo visto de entrada.

A partir de 8 de junho, a CIVIL AVIATION AUTHORITY OF CHINA (CAAC) começou a permitir que mais companhias aéreas estrangeiras aderissem à política de cinco-um - operando um voo internacional de passageiros para uma cidade chinesa por semana. Em junho aterram em Xangai os primeiros voos da AIR FRANCE e da LUFTHANSA e desde então várias companhias internacionais têm conseguido assegurar rotas aéreas comerciais, porém a preços extremamente elevados.

De uma forma geral, e numa tentativa de reavivar o ambiente de negócios e o consumo, o governo chinês tem vindo a relaxar o nível de restrições às viagens dentro do país. No entanto, embora a grande parte da atividade económica esteja a voltar à normalidade, encontram-se ainda em vigor várias políticas de controlo em pequena escala que se podem verificar um pouco por todo o território.

Por exemplo, alguns pontos turísticos e locais de entretenimento continuam com as suas operações suspensas. Na mesma linha, vários edifícios de escritórios, hotéis, centros comerciais, metros e outros transportes públicos mantêm em vigor medidas de prevenção e controlo epidémico, tais como a medição da temperatura corporal, identificação por intermédio de um código de cores nos passageiros e o uso obrigatório de máscaras. As salas de cinema têm vindo a reabrir desde meados de Agosto e em algumas cidades apenas.

De acordo com dados recentes divulgados pelo Shanghai Statistics Bureau, no primeiro semestre de 2020, o PIB de Xangai teria caído 2,6% face ao período homólogo de 2019. Embora se tenha registado um declínio no período de seis meses em relação ao ano anterior, a queda diminuiu em comparação com o recuo de 6,7% verificado no primeiro trimestre do ano anterior, fruto dos esforços levados a cabo pelas autoridades locais no sentido de estabilizar e estimular a economia da cidade no período pós Covid-19.

Nesta linha, os dados divulgados indicam uma queda de 2,6% do valor acrescentado bruto do setor primário, em relação ao ano anterior; o valor agregado da produção total no setor secundário caiu 8,2% face a 2019, embora esta tenha sido uma queda 9,9 pontos percentuais mais lenta que no primeiro trimestre; já o setor terciário totalizara 1,31 triliões CNY, um declínio de 0,6% quando comparado com 2019, e 2,1% mais lento que o período de janeiro-março. Quando tendo em conta o valor total de produção, os três setores económicos teriam contribuído com 0,2%, 24,5% e 75,3%, respetivamente, para o PIB global da cidade.

Em relação aos setores mais atingidos pela pandemia, indica aquele organismo que a sua recuperação se tem vindo a realizar de forma sustentada e promissora. No primeiro semestre, o valor agregado do comércio grossista e retalhista teria recuado 9,4% quando comparado com período homólogo. Nos setores dos transportes, logístico e serviços postais, verificou-se uma queda do seu valor agregado de 14% em relação ao ano anterior, tendo esta sido 4,5 pontos percentuais mais lenta do que a queda de janeiro a março. No ramo imobiliário, havia-se registado um recuo de 0,8% no primeiro semestre, em comparação com a uma queda de 10,3% no primeiro trimestre.

No que refere às industrias emergentes e estratégicas de Xangai, os dados publicados indicam que estas teriam contribuído com 597,62 mil milhões CNY para o PIB da cidade nos primeiros seis meses, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste contexto, destaque para as áreas de produção de veículos elétricos, produção de energia e de tecnologia de equipamentos destinados às TIC que, em conjunto, teriam registado crescimento de 95,7%, 22,8% e 10,5%, respetivamente se comparado com o mesmo período de 2019. Na mesma linha, a produção de smartphones, laptops e circuitos integrados, teria crescido 32,7%, 29,5% e 20,2%, respectivamente.

Em matéria de investimento estrangeiro, nos primeiros seis meses de 2020, 26 empresas multinacionais e 10 centros de R&D de capital estrangeiro teriam eleito Xangai como local ideal para a instalação das suas sedes regionais e centros de operação, indicadores que, segundo aquele organismo, demonstram que o IDE mantém tendência positiva e vem confirmar a atratividade da cidade ao investimento estrangeiro.

Quanto às vendas a retalho, verificara-se, nos primeiros seis meses do ano, uma queda de 11,2% na venda de bens de consumo em Xangai, para 694,68 mil milhões CNY, pese embora a quebra mais significativa se tenha verificado no primeiro trimestre de 2020, período em que teria sido registada uma quebra de 20,4% no consumo.

FEIRAS

A Feira "INTERTEXTILE" de Xangai (edição da primavera), que deveria ter ocorrido em março de 2020 e posteriormente adiada para agosto por causa da pandemia COVID-19, foi cancelada. A edição do outono da feira mantém-se para setembro, mas ainda sem garantia de quando as fronteiras da China, que encerraram no passado dia 28 de março, reabram.

A edição de 2020 da feira Vinexpo Xangai foi confirmada para 21 e 23 de outubro, de acordo com um comunicado da própria organização que revela também que serão esperados mais de 5000 visitantes do trade. Por forma a responder a possíveis constrangimentos associados à pandemia COVID-19, e maximizar as oportunidades de negócio para os produtores de vinho no segundo semestre 2020, a Vinexpo Shanghai irá igualmente contar com uma solução digital – "T@sting" -, de apresentação de vinhos para os produtores que não possam deslocar-se à China nas referidas datas – uma solução que parece, contudo, limitada a um máximo de 100 produtores.

A importante feira alimentar SIAL SHANGHAI, que celebra em 2020 a sua vigésima edição, realiza-se anualmente no mês de maio, mas tem este ano sido sucessivamente adiada num contexto de pandemia COVID-19. As datas indicadas para a edição 2020 mantêm-se 28-30 setembro próximo. Contudo, as medidas restritivas de viagem associadas à pandemia da COVID-19 impostas pelas autoridades chinesas, que muitos acreditam que poderão manter-se até as novas datas da feira - e assim impedindo a presença de profissionais estrangeiros, tem levado ao cancelamento de muitos participantes. Neste contexto, nota para a decisão da Comissão Europeia, que recentemente decidiu avançar para o cancelamento do seu pavilhão de produtos alimentares neste certame.

Em novembro irá ter lugar em Xangai a terceira edição da CHINA INTERNATIONAL IMPORT EXPO, uma feira organizada pelo Estado Chinês e com o objetivo de abrir portas às empresas internacionais que queiram vender os seus produtos no maior mercado consumidor do mundo.

Como nas duas edições anteriores (2018 e 2019), espaço da CIIE é distribuído entre uma secção para pavilhões nacionais e uma secção empresarial divida nos seguintes subtemas: serviços, automóvel, indústrias inteligentes e TICs, bens de consumo, equipamentos médicos e bens de saúde, alimentar e bens agrícolas.

Mais informação:
http://www.caac.gov.cn/en/XWZX/202003/t20200326_201748.html?from=groupmessage&isappinstalled=0
https://www.ciie.org/zbh/en/Business/FloorPlan2/

 

NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO DECORRENTES DO PÓS-COVID E CONSELHOS UTEIS ÀS EMPRESAS

Os primeiros três meses deste ano verificaram-se aumentos exponenciais nas compras online de frescos e outros mantimentos, como foi o caso da Miss Fress com + 350%, Alibaba + 220%, JD.com + 470% e Carrefour + 600%.

A pandemia também aumentou a consciencialização do consumidor chinês sobre a fragilidade da saúde humana. Por exemplo, um estudo da consultora Nielsen revelou que os entrevistados mostraram uma consciência sobre a sua saúde muito mais evidente, com a maioria a afirmar que prestará mais atenção à alimentação saudável mesmo após a epidemia (80%), que gastará mais em desporto e fitness no futuro (75%) e que irá aumentar os seus gastos em exames médicos regulares (60%).

De acordo com a revista Harpers Wine and Spirit, a trade de vinhos de gama alta e whiskeys raros da Europa para a Ásia subiu 25% em março.

Segundo o site da especialidade, Winesinfo, no primeiro semestre de 2020 o volume de importação de vinho para a China teria sido de 210 milhões de litros, valor que corresponde a cerca de 830 milhões USD. De acordo com a mesma fonte, o setor registara uma queda acumulada acima dos 30%, sendo que a proporção total da importação de vinho teria caído 49%.

De acordo com um relatório sobre o mercado de produtos de beleza realizado pela Morgan Stanley  na China, a participação da China no mercado global de beleza aumentará em até 66% nos próximos cinco anos, representando um salto nas vendas de aproximadamente US $ 38 mil milhões.
(https://jingdaily.com/why-beauty-brick-and-mortar-is-thriving-in-china/)

Segundo um estudo levado a cabo pela Deloitte sobre o impacto nos hábitos de consumo da pandemia nos primeiros 6 meses do ano, verificou-se a emergência do consumo em cloud, tendência intimamente associada à crescente necessidade dos pagamentos “sem contacto” e das novas tecnologias adotadas pela indústria do retalho durante o pico pandémico. Tendo por base o mesmo estudo, indica aquela consultora ter-se verificado, durante o período em análise, uma aceleração, por um lado, do encerramento de espaços e estabelecimentos comerciais, um pouco por toda a China, e por outro, de crescimento exponencial das lojas online, sobretudo aquelas que transacionam bens de consumo e produtos alimentares frescos. Como tal, sugere a Deloitte maior aposta, por parte de empresas que apostam sobretudo no segmento do retalho físico, no comércio eletrónico, aliada a investimentos direcionados às plataformas de social media e social commerce do país.

De acordo com a JD Big Search Institute, o mês de maio, que coincidiu com o alívio das restrições das regras de controlo pandémico e com um período de feriados nacionais, marcou o reinício da atividade económica no país. Tais condições permitiram o surgimento de um boom do consumo doméstico, tendo o consumo online aumentado 45% em comparação com o mesmo período de 2019. Alguns setores registaram ainda recordes sem precedentes durante o período em análise. Por exemplo, as vendas de artigos outdoor aumentaram 210%, dispositivos domésticos 140% e os eletrodomésticos 100% por comparação com os quatro meses anteriores.

O mesmo estudo indica que o regresso ao trabalho de grande parte população chinesa contribuiu igualmente para a recuperação sustentada do consumo no país. Neste contexto, o JD Big Search Institute afirma que empresas estrangeiras apostadas em suceder no mercado chinês, deverão ser resilientes e ter capacidade de adaptação, devendo permanecer atentas às alterações das tendências de consumo que se verificam frequentemente no país. A título de exemplo, destaca este Instituto como as vendas de produtos de desinfeção e esterilização aumentaram durante o período de regresso ao trabalho na China, tendo o alcóol gel e outros produtos desinfetantes relacionados registado aumentos de 112% e 254%, respetivamente (crescimento mês a mês de janeiro a maio). Perante este cenário, sugere o JD Big Search Institute que empresas não nacionais a operar na China, poderão encontrar novas oportunidades de negócio, sobretudo na inovação e criação de produtos / serviços no âmbito da proteção e prevenção epidémica.

A pandemia veio também trazer oportunidades a indústrias detentoras de produtos e serviços que requerem contato reduzido entre indivíduos. Por exemplo, de acordo com dados avançados pela JD.com, as vendas de bicicletas elétricas aumentaram 638% face ao período homólogo de 2019, e as vendas de hoverboards para adultos aumentaram 147%, quando comparado com o mesmo período do ano passado.

A agora popular “educação online” é outro “subproduto” da atual pandemia. Com o rápido desenvolvimento do ensino online, as empresas passam a dispor de uma oportunidade única para criar novos produtos e serviços relacionados que possam potenciar este novo mercado.

Por último, nota para a tendência de “consumption upgrade” onde a JD Big Search Institute destaca o aumento substancial do consumo de equipamentos de ginástica domésticos de ponta, artigos de luxo e eletrodomésticos de grandes dimensões. Segundo este Instituto, e a título de exemplo, o volume de transações de aparelhos de fitness como remadores, máquinas elípticas e esteiras aumentou mais de 133, 91 e 96 por cento, respetivamente, entre os dias 1 e 6 de abril (crescimento ano a ano quando comparado com 2019).

 

SITES RELEVANTES A CONSULTAR

www.shanghai.gov.cn

www.mofcom.gov.cn

https://www.europeanchamber.com.cn/en/national-news/3131/focus_on_the_covid_19

https://china.ahk.de/coronavirus-updates

https://www.amcham-shanghai.org/en/article/post-covid-19-healthcare-growth-opportunities

https://cn.ambafrance.org/Circonscription-de-Shanghai-mesures-locales-prises-par-les

https://www.mckinsey.com/industries/travel-logistics-and-transport-infrastructure/our-insights/the-way-back-what-the-world-can-learn-from-chinas-travel-restart-after-covid-19

https://www2.deloitte.com/global/en/pages/about-deloitte/articles/covid-19/covid-19-impact-on-china-consumer-products-retail-industries.html

https://jdcorporateblog.com/jd-sales-data-shows-strong-trend-of-returning-to-work/

http://www.winesinfo.com/html/2020/8/12-83523.html

https://research.jd.com/

www.xangai.consuladoportugal.mne.pt

https://www.portaldascomunidades.mne.pt/pt/conselhos-aos-viajantes/c/china/rep-popular-da-china

www.ciie.org

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