França: COVID-19

Conheça os constrangimentos, medidas de relançamento da economia e oportunidades de negócio em França decorrentes da COVID-19.

MEDIDAS GOVERNAMENTAIS DE RELANÇAMENTO ECONÓMICO E APOIO ÀS EMPRESAS

  • Alargamento do prazo para o pagamento dos encargos sociais e fiscais por parte das empresas e cancelamento do mesmo para empresas com menos de 10 trabalhadores (Les Echos, 2020). Esta medida custou ao Estado francês mais de 35,5 mil milhões de euros tendo abrangido mais de 60.000 empresas maioritariamente dos setores do comércio (25%) e industria (16%) (Les Echos, 2020).
  • Suspensão das rendas, contas de água, gás e eletricidade para PME em dificuldade.
  • Atribuição de um apoio de 1 500 euros a todas as micro e pequenas empresas.
  • Criação de fundo de 300 mil milhões de euros para garantir empréstimos solicitados pelas empresas a entidades bancárias. Deste montante, apenas cerca de 100 mil milhões de euros foram utilizados até 12 de junho tendo abrangido mais de 500.000 empresas principalmente dos setores da construção civil (25%) e industria (18%) (Les Echos, 2020).
  • Possibilidade de negociação do pagamento de créditos junto de instituições financeiras com o apoio do Estado e do Banque de France.
  • Financiamento direto aos trabalhadores através do mecanismo de desemprego parcial com previsão de custo de mais de 31 mil milhões de euros ao Estado francês (Les Echos, 2020). Este mecanismo pretende evitar despedimentos na medida em que o governo pagou, até 1 de junho, 100% do salário dos trabalhadores que não conseguirem trabalhar em regime de teletrabalho. Após 1 de junho, o estado francês garantiu 85% do salário do trabalhador (Le Figaro, 2020). Este mecanismo cobriu cerca de 12,7 milhões de trabalhadores e 1,2 milhões de empresas (Les Echos, 2020).
  • Atribuição de 1000 euros a cada trabalhador que por absoluta necessidade se tenha mantido ao serviço durante o período de confinamento (ex.: grande distribuição, transportes, agroalimentar).
  • Apoio na resolução de litígios comerciais entre clientes ou fornecedores.
  • Não aplicação de multas ou coimas, por atrasos, em contratos de compras governamentais.
  • Empresas que beneficiaram de adiamento de pagamento dos impostos sobre os salários e de empréstimos garantidos pelo Estado, estão proibidas de pagar dividendos aos seus acionistas. Estima-se que os acionistas das grandes empresas francesas não venham a receber mais de 30 mil milhões de euros de dividendos como resultado desta medida (Les Echos, 2020).
  • Alteração dos procedimentos administrativos e dos prazos de todo o tipo de concursos públicos, com o objetivo das entidades contratantes e dos operadores económicos poderem fazer face às dificuldades relacionadas com a COVID-19.
  • Criação de contratos de trabalho de “provisão temporária”. Colaboradores desocupados podem temporariamente trabalhar para outras empresas em situação de carência de pessoal. O colaborador mantém o seu salário que é reembolsado pela empresa temporária à empresa inicial.
  • Reembolso de custos de formação a colaboradores em desemprego parcial.
  • Criação de um fundo de 20 mil milhões euros para participação ou nacionalização em/de empresas francesas industriais em dificuldades (Les Echos, 2020).
  • Apoio de 5 000 euros destinado a empresas em dificuldades e em risco de falência.
  • Criação de fundo de 19 milhões de euros para apoio a empresas com animais dependentes como jardins zoológicos e circos.
  • Empresas que tenham presença em paraísos fiscais não poderão aceder aos apoios do Governo Francês.
  • O controlo acionista de grandes empresas francesas por parte de investidores não europeus será reduzido de 25% para 10% até ao final de 2020.
  • Criação de um fundo de 1,3 mil milhões de euros para apoio às empresas da região de Ile-de-France, onde se integra a cidade de Paris, pelas respetivas autoridades regionais.
  • O governo preparou um projeto de circular orçamental que prevê a atribuição de 10 mil milhões de euros de fundos a instituições sociais e médico-sociais (lares) em 2020.
  • O Ministério do Trabalho lançou, a 19 de maio, o programa “Objectif Reprise”, um novo dispositivo de apoio à retoma da atividade económica através de acompanhamento e consultoria especializada para as empresas francesas com menos de 250 trabalhadores.
  • Apoio de até 4.000 euros à contratação de jovens com menos de 25 anos (Les Echos, 2020).

Planos de apoio a setores específicos:

  • Plano para o setor automóvel no valor de 8 mil milhões de euros. Plano detalhado aqui.
  • Plano para o setor aeronáutico no valor de 15 mil milhões de euros dos quais 7 mil milhões de euros destinados à recapitalização/restruturação da Air France. Plano detalhado aqui.
  • Plano para o setor do turismo no valor de 3 mil milhões de euros. Plano detalhado aqui.
  • Plano para o setor do livro no valor de 230 milhões de euros. Plano detalhado aqui.
  • Plano para o setor tecnológico no valor de 5,2 mil milhões de euros. Plano detalhado aqui.
  • Após já terem sido injetados cerca de 10 mil milhões de euros no setor da construção desde o início da pandemia, o plano de retoma para este setor prevê mais de 1,6 mil milhões de euros adicionais em apoios. Plano detalhado aqui.
  • Após a criação de um fundo de 4 mil milhões de euros de apoio às startups francesas (plano detalhado aqui), foi anunciado novo plano de cerca de 665 milhões de euros. Este plano privilegia as startups de deep tech. Plano detalhado aqui.

Plano de apoio às empresas francesas exportadoras:

  • Concessão de garantias estatais para cauções e pré-financiamento de projetos de exportação a fim de assegurar a tesouraria das empresas exportadoras. O valor das garantias prestadas pelo Estado podem chegar a 90% do valor dos projetos lançados por pequenas e médias empresas e a validade dos acordos de garantia de pré-financiamento à exportação podem prolongar-se até 6 meses.
  • Prolongamento por mais um ano dos seguros de “Prospeção Exportação” já contratados pelas empresas junto do BPI France.
  • Reforço em cerca de 2 mil milhões de euros nos seguros de crédito à exportação de curto-prazo, através do alargamento do dispositivo de resseguro público Cap France Export.
  • Reforço do apoio e acesso a informações sobre mercados externos por parte da equipa da France Export (Business France, Câmaras de Comércio e Bpifrance) em coordenação com as regiões.

 

PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NO MERCADO

  • No caso de chegada a França continental de um país onde o vírus circule ativamente (não se aplica a Espaço Schengen) os viajantes têm de apresentar um resultado negativo ao vírus COVID-19, uma declaração de honra sobre a ausência de sintomas de COVID-19 e uma declaração de motivo de força maior e documentos oficiais para justificar a deslocação para França. Os passageiros que não apresentem teste COVID-19 negativo são obrigados a respeitar o período de quarentena em França.
  • No caso de chegada aos territórios franceses ultramarinos, a apresentação de um teste COVID-19 negativo é obrigatória independentemente do destino de origem (Espaço Schengen incluído). Partidas e chegadas à Guiana Feancesa, Mayotte, Polinésia Francesa, Nova Calodónia e Wallis e Futuna estão sujeitas a atestatção de declaração de motivo de força maior.
  • As viagens nos comboios TGV, intercidades e regionais só podem ser efetuadas consoante marcação prévia (não se vendem bilhetes no local).
  • Guiana Francesa e Mayotte são as únicas regiões francesas que permanecem com nível moderado de risco. A saída e entrada de indivíduos nestes territórios bem como a circulação entre departamentos estão interditas exceto em caso de força maior.
  • Os únicos estabelecimentos que permanecem fechados em França, até pelo menos ao final do mês de agosto, são as discotecas e os cruzeiros marítimos. Festas, feiras e exposições não estão autorizadas até 31 de agosto. Na restauração, deverá ser assegurada distância mínima de 1 metro entre mesas ou barreiras higiénicas, capacidade máxima de 10 pessoas por mesa, interdito o atendimento ao balcão e uso obrigatório de máscara entre deslocações dentro do estabelecimento.
  • Nos estabelecimentos comerciais abertos existe número limite de pessoas que é estabelecido por cada estabelecimento;
  • Ajuntamentos de mais de 5.000 pessoas estão interditos até 31 de agosto.
  • Nos espaços públicos os indivíduos devem circular em grupos de até 10 pessoas com exceção para visitas guiadas turísticas ou por razões profissionais (incluindo Guiana Francesa e Mayotte).
  • Temporada de saldos adiada para 15 de julho com duração prevista de quatro semanas.
  • Obrigatoriedade do uso de máscara e distância de segurança em espaços públicos, em certas ruas e avenidas de Paris (lista aqui) e nos locais de trabalho a partir de 1 de setembro.
  • Devido a um aumento significativo do número de casos em Paris e Marselha, estas duas cidades foram classificadas como “zonas de circulação ativa do vírus” (Le Figaro, 2020). A ministra do Trabalho, Elisabeth Borne, referiu que o teletrabalho permanece recomendado e acrescentou ainda que este deve ser implementado sempre que possível em áreas de circulação ativa do vírus (Les Echos, 2020).

 

NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO DECORRENTES DO PÓS-COVID E CONSELHOS ÚTEIS ÀS EMPRESAS

  • E-saúde: as consultas médicas online aumentaram exponencialmente em França. No período anterior ao confinamento, França registava cerca de 10.000 consultas online por semana. Na última semana de abril registaram-se mais de 1 milhão de consultas online (L’Usine Digitale, 2020). Na semana seguinte ao confinamento foram registadas cerca de 650.000 consultas online tendo o número de médicos disponíveis através da internet passado de 5.000 antes do confinamento para 40.000 no pós-confinamento (L’Usine Digitale, 2020).
  • Robótica: A venda de robôs cresceu exponencialmente em França devido à procura de alternativas ao contacto humano. Alguns robôs utilizados em ambiente hospitalar registaram um aumento de vendas de 600% face a 2019. Robôs de limpeza e transporte de mercadorias estão também a ser altamente requisitados (Les Echos, 2020).
  • E-commerce: No primeiro trimestre de 2020 as vendas online em França cresceram 1,8% face a igual período de 2019 (FEVAD, 2020). Apesar de alguns setores em particular terem registado crescimentos exponenciais, outros setores como o turismo, que decresceu 60%, foram bastante afetados. No mês de março 2020 o comércio online registou mais 2,5 milhões de novos clientes franceses (LSA, 2020). Durante o período de confinamento, 9,5% do total das compras de produtos de grande consumo feitas em França foram efetuadas online (LSA, 2020). Segundo a consultora Kantar, cerca de 7,2 milhões de franceses recorreram ao e-commerce, durante o período de confinamento obrigatório, para comprar produtos do setor têxtil e vestuário. Deste universo cerca de 1,3 milhões não faziam compras online deste tipo de produtos, antes do período de início do confinamento (LSA, 2020).
  • Farmacêutico: o setor farmacêutico cresceu no primeiro trimestre de 2020 graças a um aumento da procura de medicamentos por parte das famílias e ao crescimento do fornecimento de medicamentos ao setor público, nomeadamente hospitais e rede de lares públicos. A Sanofi registou nos primeiros três meses de 2020 um aumento de faturação de 7% e a Novartis crescimento de 11% (Les Echos, 2020). De acordo com o Sindicato das Empresas Farmacêuticas, das 271 unidades de produção da indústria farmacêutica, registaram-se apenas três casos de atividade parcial em 15 dias, para casos de Covid-19 não se tendo verificado a paragem total de nenhuma fábrica (L’Usine Nouvelle, 2020).
  • Energia: a fileira hidrogénio está a concentrar fortes esperanças e a mobilizar investimentos nomeadamente para a mobilidade elétrica "verde" (Les Echos, 2020). No seguimento do anúncio do plano de apoio de 8 mil milhões de euros para o setor automóvel, foram também mencionados bónus para a compra de veículos elétricos, assim como o plano para a antecipação da implementação de 100.000 estações de carregamento elétrico em 2021 (inicialmente prevista para 2022).
  • Construção Civil: a construção está cada vez mais pressionada para atuar em moldes de "eco-construção", utilização de materiais com base biológica ("bio-sourcing"), reciclado ou com pegada de carbono reduzida ou construções com baixo consumo de energia ou mesmo de energia positiva (Batiweb, 2020).
  • Equipamentos de segurança e proteção individual: para além do uso de máscara ser obrigatório em grande parte dos espaços públicos em França, foi anunciado a 2 de julho pela Secretária de Estado da Economia que está em curso a aprovação de uma medida que implica que as empresas francesas terão obrigatoriamente de ter um stock de máscaras para todos os seus funcionários para um período mínimo de dez semanas (Les Echos, 2020).
  • Bicicletas: após o desconfinamento foi registada uma forte procura de compra de bicicletas por parte da população francesa, sobretudo nos grandes centros urbanos. As autoridades francesas disponibilizaram diversos tipos incentivos para uma maior utilização da bicicleta como meio de transporte privilegiado em tempos de pandemia: subvenção de 50 euros ou até 50% da fatura para a reparação de bicicletas, formações gratuitas para aprender a andar de bicicleta para todos os cidadãos e apoio de até 400 euros/ano para os trabalhadores que utilizam a bicicleta como meio de transporte para o trabalho. Ao nível regional, as iniciativas multiplicam-se com destaque para a construção de 77km de ciclovias em Lyon, 50 km em Paris, comparticipação de até 400 euros pela Câmara de Paris na compra de uma bicicleta ou na conversão de uma bicicleta clássica em elétrica e comparticipação pela “Île-de-France Mobilités” de até 500 euros na compra de uma bicicleta elétrica.

Conselhos úteis para as empresas portuguesas:

  • Reforçar o posicionamento de fornecedor nearshore  (“regional value chains”).
  • Investir nos canais de comunicação/distribuição digitais.
  • Comunicar amplamente ações de solidariedade e de responsabilidade social durante o período crise e pós-crise.
  • Continuar a marcar presença nas “feiras-âncora” que se realizam em França em diversos setores de atividade.
  • Retomar o mais rapidamente possível contactos com clientes que tenham ficado em “stand by” durante o período do confinamento.
  • Dar particular atenção à retoma das obras de construção e dos grandes projetos públicos que vai alargar oportunidades para as empresas portuguesas, sobretudo em regime de subcontratação.
  • Tirar partido das poupanças acumuladas pelos franceses durante o período de confinamento. Estima-se que as famílias francesas terão acumulado uma poupança de cerca de 55 75 mil milhões de euros (OFCE, 2020). (Les Echos, 2020).
  • Acompanhar e tirar partido das oportunidades existentes nas diversas plataformas de e-marketplaces existentes no mercado francês.
  • A partir da presença e da abordagem do mercado francês, avaliar a possibilidade de implementação de uma estratégia de entrada e de desenvolvimento de negócios em outros mercados francófonos europeus, tirando partido da existência de uma língua comum, das novas ferramentas digitais e das facilidades de transporte e comunicação existentes.
  • A tendência do consumo “Made in France” cresce cada vez mais durante a pandemia COVID-19. As empresas portuguesas deverão oferecer produtos de qualidade e altamente diferenciados para fazer face à forte concorrência francesa.

 

SITES RELEVANTES A CONSULTAR

Governo francês:
Les mesures prises par le gouvernement

Ministério da Economia e Finanças:
Coronavirus COVID-19: Les mesures de soutien aux entreprises

Ministério da Economia e Finanças:
Start-up: Mesures de soutien économique

Ministério da Economia e Finanças:
Plan de soutien aux entreprises françaises exportatrices

Ministério da Solidariedade Saúde:
Etat des lieux et actualités

Ministério da Solidariedade e Saúde:
Tout savoir sur le COVID-19

Ministério do Interior:
Coronavirus COVID-19: Informations, recommandations & mesures sanitaires

Ministério do Trabalho:
Coronavírus – COVID-19

Ministério da Transição Ecológica e Solidária:
Coronavírus COVID-19: informations, recommandations & mesures sanitaires

Ministério da Transição Ecológica e Solidária:
Contrôle technique des véhicules

Ministério da Transição Ecológica e Solidária:
Mobilisation pour soutenir l’activité des professionnels du transport et de la logistique

MEDEF (Mouvement des entreprises de France):
Covid- 19: consultez notre dossier spécial

Bpifrance:
Coronavirus: Bpifrance active des mesures exceptionnelles de soutien aux entreprises

Business France:
Information Coronavirus COVID-19

Texto template inserido por JS

O nosso website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação e exibir anúncios dirigidos. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies. Para saber mais leia a nossa Política sobre cookies. Aconselhamos igualmente a consulta da nossa Política de privacidade.