IRÃO: COVID-19

Conheça os constrangimentos, medidas de relançamento da economia e oportunidades de negócio no Irão decorrentes da COVID-19.

MEDIDAS GOVERNAMENTAIS DE RELANÇAMENTO ECONÓMICO E APOIO ÀS EMPRESAS

  • Estimou o Ministério da Economia que o Coronavírus poderá significar um impacto na economia na ordem dos 15%. 
  • A Câmara de Comércio, Indústria e Minas de Isfahan estimou dois cenários para o impacto da pandemia na economia iraniana, um otimista e um pessimista onde a contração da economia deverá no primeiro caso atingir os 9% do PIB e no segundo caso os 17% do PIB.
  • No final de março, o presidente Rouhani anunciou o equivalente a mais de 10% do PIB em medidas de mitigação e recuperação dos efeitos da COVID-19.

As principais medidas do Governo:

  • Moratória dos pagamentos de impostos devidos por um período de três meses (7% do PIB);
  • Crédito para empresas afetadas (4,4% do PIB) com garantia do estado;
  • Além deste esforço, outras acções foram implementadas. Empréstimos com taxas de juro na ordem dos 12% (subsídiadas) a 10 categorias de empresas que mais sofreram para mitigação dos efeitos da pandemia;
  • Outro pacote financeiro chega através das reservas dos bancos e Banco Central, sendo uma parte colocada à disposição das empresas a uma taxa zero e outra parte a 18%. Nesta última o estado pode ainda em certas situações subsídiar outros 6% ficando o encargo para as empresas na ordem dos 12%;
  • Financiamento extra para o setor de saúde (2% do PIB);
  • Transferências de rendimentos para famílias vulneráveis (0,3% do PIB);
  • Apoio ao fundo de seguro-desemprego (0,3% do PIB);
  • Empréstimos com taxas de juros bonificadas para famílias vulneráveis.
  • Da verba para resgate da economia da situação pandémica, foi decidido providenciar apoio financeiro aos locatários de arrendamentos que não consigam suportar as rendas, devendo estes suportar os juros e encargos. O valor global alcança 3,3 mil milhões de USD e é aplicável a residentes em imóveis com menos de 75m2 em Teerão e menos de 90 m2 nas outras cidades.
  • Em Junho, o Governo, solicitou ao FMI 5 Mil Milhões de USD de modo a melhor fazer face aos efeitos na economia das medidas de contenção da Covid19. Tal importante apoio ainda carece de aprovação;
  • Com a redução drástica no tráfego aéreo, que chegou aos 95% em certos períodos, foi aprovado um pacote de apoio ao sector na ordem dos 12 Milhões de USD.

As principais medidas do Banco Central:

  • Alocação de recursos (0,06% do PIB) para a importação de medicamentos;
  • Adiamento por três meses do reembolso dos empréstimos vencidos em fevereiro de 2020;
  • Suspensão de penalizações aos incumprimentos de reembolsos de empréstimos; 
  • Ampliação dos limites dos pagamentos pela via contactless e aumento dos limites para transações bancárias, a fim de reduzir a circulação de notas e pagamentos com cartões de débito;
  • Anúncio da injeção de 1,5 mil milhões de USD no mercado cambial, com o objetivo de estabilização do valor do Rial.
  • Programa de Recuperação do COVID10 da ONU para o Irão, foca-se na combinação da geração de emprego e proteção social incluindo o fortalecimento do sistema de saúde. Prevê apoiar 92.000 famílias mais vulneráveis e em simultâneo suportar a criação de 50.000 novas macro e pequenas e médias empresas / emprego associado. O programa foi projetado para um período de 12 a 18 meses e requer 50 M EUR.

 

QUAIS OS PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NO MERCADO

O Irão tem sido severamente afetado pela conjugação das sanções e da pandemia que agora enfrenta uma segunda vaga muito severa. O seu PIB poderá sofrer um decréscimo na ordem dos 15%. Efeito que, de alguma, forma poderá também atingir até 50% da força de trabalho e acrescentar ao desemprego mais dois milhões de pessoas. Não obstante estas dificuldades, o mercado aparenta vir regressando à nova normalidade e a conviver com o vírus, ainda existem constrangimentos a diversos níveis. A capital Teerão teve recentemente um agravamento significativo do número de contágios diários e internamentos, passando a estado encarnado. O uso de máscara passou a ser obrigatório mesmo na rua.


Ligações aéreas:

  • A QatarAirways tem atualmente dois voos diários na ligação Doha-Teerão-Doha. Recentemente recomeçou com quatro voos semanais para Mashad e Esfahan respectivamente.
  • A Emirates recomeçou as ligações aéreas para Teerão (12 de Agosto) tendo actualmente um vôo diário, oferecendo seguro de viagem relacionado com Covid19 e quarentena.
  • A Turkish Airlines foi anunciado o reestabelecimento linha aérea para 31 de AgostoA Iran Air anuncia voos semanais "condicionados" para Londres (X3), Paris (X2) e Amesterdão (X1). A ligação ao Kuwait das cidades de Shiraz e Esfahan foi também reestabelecida.
  • Mahan Airlines, Taban Airlines, Zagros Airlines e Qeshm Airlines mantêm os voos excecionais para diversos destinos maioritariamente Dubai e Turquia para regresso de nacionais.
  • Segundo a Autoridade da Aviação Civil, os passageiros chegados ao Irão pela via aérea, carecem de apresentação obrigatória de certificado em inglês do teste molecular negativo ao Covid19 elaborado por entidade certificada no país de origem nas 96 horas anteriores à partida. O aeroporto internacional de Teerão (IKIA) tem instaladas três máquinas de desinfeção para passageiros.

Ligações aéreas de carga existentes:

  • QatarAirways Cargo: Dois voos semanais de carga mais os dois voos diários de passageiros que também realizam parcialmente transporte de mercadorias.
  • MahanAir Cargo: mantém as rotas com a China, Bangkok, Kuala Lampur, Istambul, Barcelona e Moscovo.
  • Qeshm Airlines: Disponível para voos fretados para Istambul.
  • Iran Air Cargo: Mantém voos de carga para Itália, França e Inglaterra.

As fronteiras com os países vizinhos têm vindo a reabrir com condicionalismos para mercadorias mas, na maioria, encerradas para o trânsito de pessoas com exceção dos repatriamentos.

  • A nível de transporte de carga terrestre, as fronteiras com o Iraque têm vindo a reabrir para mercadorias observando os protocolos de saúde de igual modo as fronteiras com o Azerbaijão, Afeganistão, Turkmenistão, Arménia e Turquia. Paquistão e Rússia ainda só permitem trânsito de bens alimentares.
  • A nível marítimo a rota Porto de Bandar Abbas - Porto Sultan Qaboos (Oman) é operada pela companhia Al-Marafi. As rotas marítimas com o Catar, E.A.U. e Kowait estão a funcionar com medidas de saúde associadas. Uma nova linha marítima para produtos agropecuários com o Kowait foi inaugurada no início de junho.
  • Construção de Infraestruturas: Setor com redução significativa de atividade. O maior exemplo é o atraso verificado no emblemático projeto no setor do gás. Todavia, o Governo anunciou o lançamento do projeto de ligação de metropolitano entre a cidade de Teerão e a cidade tecnológica de Pardis, mas não indicou data para o seu início. Projeto orçamentado em 258 M USD.
  • As seguradoras anteveem um ano complicado mas sofrendo menos os impactos da pandemia que outros setores no curto-prazo. O Sindicato Iraniano de empresas Seguradoras anunciou um aumento generalizado do custo dos prémios, na ordem dos 13% para o ano corrente.
  • Habitação: Setor muito ativo nas principais cidades, mas registou em Teerão, entre fevereiro e março, um quebra de 24,4%, na venda de imóveis face ao mês anterior e uma subida de 8,6% no preço por metro quadrado. No mês correspondente a Abril/Maio o custo médio por metro quadrado subiu 9% em relação ao mês anterior alcançando os 4.204 USD/m2. O número de transações de imobiliário também caiu 52% neste período.
  • Turismo: Setor que representava cerca de 6,5% do PIB, muito dependente do turismo interno e turismo religioso, está em grandes dificuldades, estando em perigo cerca de 1,5 milhões de postos de trabalho. Estima-se que, apenas durante as férias do ano-novo iraniano (17 de março a 5 de abril), os prejuízos dos hotéis em todo o país ultrapassaram ultrapassem os 187M USD. Existem algumas unidades hoteleiras em funcionamento por todo o país, mas com taxas de ocupação naturalmente baixas. Neste sector, os lay-off começaram a dar lugar aos despedimentos em muitas situações. Os 13.000 Guias Turísticos são o elo mais fraco do setor devido ao facto de, na sua maioria, não terem empregador e por regra não estarem inseridos no sistema da segurança social.
  • Artesanato: Com cerca de 144.535 oficinas licenciadas no país e cerca de 2.500 lojas certificadas nas seis principais cidades, o sector envolve direta e indiretamente cerca de 2,5 milhões de pessoas (70% delas mulheres). O encerramento das lojas, com ênfase no período do final do ano, e das fronteiras com a consequente quebra nas exportações, trouxe elevadas perdas de rendimentos às empresas e famílias. O restabelecimento da situação poderá demorar cerca de dois anos.
  • O segundo Aeroporto Internacional de Teerão (Mehrabad), registou quebras significativas na sua atividade durante o primeiro mês do novo ano iraniano (20 de março a 19 de abril). O número de passageiros (291.739) caiu 70% e o número de descolagens e aterragens (3.455), significando menos 65% em igual período. Com o objetivo de gerar mais receitas, o Ministério das estradas e desenvolvimento urbano apresentou proposta ao governo no sentido de reduzir em 50% o custo do overflight das companhias aéreas internacionais. Atualmente e já devido à pandemia o desconto é de 30%.
  • Automóvel: É um setor muito relevante no tecido industrial iraniano e esta crise veio agravar as dificuldades já existentes com a imposição das sanções pelos EUA, agravados pelos problemas gerados pela pandemia. A procura de veículos caiu cerca de 32% no mês que terminou a 17 de abril, em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, os sinais de retoma são evidentes, os dois principais fabricantes de veículos automóveis, a IKCO e SAIPA, produziram mais 21% no período compreendido entre 21 de Março e 20 de Agosto, o sector voltou a aumentar a sua produção, com os principais fabricantes a liderar um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior e com um total de 360.599 viaturas de passageiros e comerciais produzidas.
  • Restauração: Apesar da menor afluência de clientes, os restaurantes reabriram estão em funcionamento cumprindo com as medidas de higiene e segurança impostas. Dependendo do nível de infecção das cidades, poderão reabrir ou voltar a encerrar os cafés, salões de chá e restaurantes.
  • Atividades Culturais, Recreativas, Entretenimento e Desporto. O seu funcionamento/suspensão depende do nível de infeção registado localmente, é um processo dinâmico.
  • Atividades religiosas: Todas as mesquitas do país, puderam reabrir a 12 de maio, de acordo com as normas de higiene a aplicar. Existe actualmente muita discussão sobre as normas a aplicar para tornar as tradicionais celebrações seguras.
  • Agropecuário: Diversas são as dificuldades na obtenção de matéria-prima para o fabrico de rações e redução do poder de compra do consumidor. No início da pandemia registou-se um decréscimo de 50% no consumo de carne de frango contrastando com o aumento de produção de carne vermelha +23% no mês que terminou em Maio em relação a igual período do ano anterior. Mais recentemente ocorreu um aumento no consumo de carne de ave e ovos o que levou a um aumento dos preços. Com o objetivo de baixar preços, aumentando a oferta, as licenças de exportação de ovos foram suspensas. O Irão produziu no ano passado 1,1 milhões de toneladas de ovos tendo exportado 41.000 Ton.
  • Agricultura: Setor que representa cerca de 8% do PIB iraniano, tem, segundo o Ministério da Agricultura, sido um dos pilares em tempos de crise a nível de produção, emprego e sustentabilidade. Estima-se que esta performance poderá representar cerca de 32% em crescimento adicional do PIB. No entanto, a exportação de Açafrão, caiu entre 21 de março e 20 de maio 40% devido à pandemia.
  • Educação e formação: O presidente Rouhani, anunciou a abertura do próximo ano escolar em diferentes datas. O preparatório ou primeiro ciclo a 22 de agosto se as condições na respetiva cidade o permitirem. Secundário a 5 de setembro. Universitário a 7 de setembro com a vertente online e presencial em simultâneo, esperando-se menos concentração nas salas de aula, nos transportes e nas residências devido à implementação de um sistema de rotatividade/alternância nas aulas. O Governo admitiu não ter reunidas as condições necessárias para a realização dos normais exames escolares em Teerão, pelo que, estão adiados até a situação estar mais controlada e ser encontrada solução exequível com a segurança.
  • Hidrocarbonetos: Apesar dos bloqueios provocados pelas sanções, o orçamento de estado previa exportações de petróleo na ordem de 1 milhão de bpd ao preço médio de 50 USD/barril. Com a queda dos preços por barril já se aponta para um défice estimado de cerca de 30 mil milhões USD.
  • As feiras e exibições voltaram a abrir portas a dois de julho. A realização destes eventos dependerá da análise regular dos níveis de propagação e internamentos devido à Covid19, em cada cidade.

 

NOVAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO DECORRENTES DO PÓS-COVID E CONSELHOS UTEIS ÀS EMPRESAS

O Irão continua sendo a segunda maior economia da região Médio Oriente e Norte da África (MENA), constituído por uma sociedade e economia resiliente, que sobreviveu adaptando-se, reconvertendo-se, não obstante o isolamento a que vem estando sujeito. As sanções, em geral, têm vindo a potenciar cada vez mais os sectores de serviços e indústrias não petrolíferas.

É sobretudo neste contexto e não tanto do decorrente da pandemia que o Irão procura desenvolver o seu mercado, a sua indústria e serviços. As oportunidades para as empresas portuguesas derivam maioritariamente deste contexto de apoio e capacitação dos atores locais. Serviços de Ensino superior, bens e equipamentos industriais, tecnologia e bens-humanitários são, entre outros, alguns exemplos de sectores onde o mercado poderá responder de forma positiva.

O mercado iraniano é ainda pouco conhecido pela generalidade das empresas portuguesas e tendo uma complexidade e características muito próprias. A língua, a distância, uma cultura de negócios diferente e que exige perseverança e acompanhamento e a inexistência e relações bancárias diretas, são alguns dos aspetos que, à partida, acrescentam complexidade à ação das empresas estrangeiras e das locais também.

Como o potencial do mercado se mantém em muitas áreas é recomendável que as empresas portuguesas, na sua generalidade, solicitem desde o início, o apoio da AICEP para melhor entenderem o mercado e poderem agir de forma segura e sustentada.

 

SITES RELEVANTES A CONSULTAR

Página oficial do Governo sobre a evolução da COVID-19:
http://corona.behdasht.gov.ir

Página da OMS relacionada com o Irão:
www.who.int/countries/irn/en

Página de notícias económicas e financeiras:
https://financialtribune.com

Página com estudo sobre o impacto da pandemia no sector do artesanato:
https://rc.majlis.ir/fa/report/show/1506287

Página informativa sobre as coberturas do seguro de viagem da Emirates:
https://www.emirates.com/english/help/covid19-cover

Página de indormativa para passageiros com histórico de viagens ao Irão:
www.iatatravelcentre.com/international-travel-document-news/1580226297.htm

Página da Embaixada de Portugal em Teerão:
www.teerao.embaixadaportugal.mne.pt/pt

Texto template inserido por JS

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